segunda-feira, setembro 22, 2008

7ª Piruetas e mentiras - Antes de dormir


Medo, medo, medo,
32 vezes medo.
A tempestade, o colo antigo, o medo,
O quarto escuro, a porta entreaberta,
A fresta, a luz, o medo.
Vozes tão distantes, a festa, a chuva,
A cama estranha, passos, passos,
Passos, passos, o medo.
Olhos entre cobertos, o pensamento, o ar rarefeito,
O apagar, o adormecer, o pesadelo, o medo,
O medo, o medo.
Amanhã como será, será que é ou
Foi só num piscar que tudo fez-se assim,
O que será de mim, o que virá,
Como sentir, fechar, fechar, nunca
Mais abrir, o medo, o medo, o tempo.
Ontem já foi o que amanhã será,
Será que é ou é defeito,
O que foi feito daquela manhã,
O medo, o medo, o medo.
Chorar, chorar, chorar, do que adianta,
A água, o sal, o medo.
Mentir, matar, o gozo pleno,
O permanecer atento, o coração, o coração,
O medo.
Medo, medo, medo, medo,
Minha raiva, meu sorriso, a solidão,
O meu desejo, o meu delírio, a minha voz,
O meu segredo, o medo, o medo, o medo,
A câimbra, a chama, a sentinela, o medo,
O meu apego, o meu chinelo, o medo.
Não vai parar, não irá para lá, não vá,
O vento, o som, o sinal, o medo,
O medo, o medo, o medo, o medo.
Há tempestades, há festa, haverá
O medo.

3 comentários:

caeira disse...

(parafaseando um português que tinha muitos nomes)

às vezes me parece que poesia não é sua ambição,
é sua maneira de estar sozinho!

só de saber isso já deve aquecer, não?

lamb.

nomenão disse...

como dar piruetas no ar sem asas

sílvia disse...

32 vezes medo. 32 vezes coragem. 32 vezes água. 32 vezes fogo. 32 vezes nada.
depois de ler 32 vezes fica mais bonito. o medo vai-se com as bóias.

para dan: como ter asas com medo?