segunda-feira, maio 26, 2008

3ª Piruetas e mentiras - O que mais eles disseram naquela manhã que deixei escapar entre os dedos?


E era só dizer Sim.

Sim.

E tudo virou começo.

Tudo antes do fim,

antes e depois do avesso.

E o dia amanhecia em peso.

Azul feito palma da mão aberta.

Os corpos não amanheceriam tão cedo.

Sim no chão frio,

sim na descoberta

que cobria todo o silêncio.

Sim

e era um grande segredo

não dizer que era

e ser.

E era só dizer Sim.

E disseram.



26/05/08

domingo, dezembro 16, 2007

1ª Piruetas e mentiras - Voltas e velas (ou como aprendi a deixar o azul sempre do lado de dentro da mirada dos meus olhos)


mar aberto

outras voltas, outras velas,

olhos de abrir paisagem,

dias de comer estradas,

horas soltas sobre os livros de história.


pra que tanto verde se essa saudade só persiste?

eu desisto de esperar o resultado da lei.

deixo aguada minha vontade de abraços,

abraços deixados na plataforma G da rodoviária.

fico ilhado entre verbos, pronomes, milhares de páginas

em branco.

colorir é pestanejar traçando luz contra luz

um par.

terça-feira, setembro 18, 2007

10ª Pirueta - Azul


Esperar, esperar,

acenar prum momento,

tentar achar a chave,

fisgar o tempo

e mergulhar.

Mergulhar sem tempo de respirar.

Aquela hora em que você decide

se vira pedra ou vira peixe,

se cria limo ou cria escamas.


E tudo ficou todo azul.

quarta-feira, setembro 12, 2007

9ª Pirueta - Alice




Reza a lenda que Alice,
Não aquela,
Outra bem mais festa
E louca e descortinada,
Um dia fez a cidade cambalear
De puro desejo, magia, medo,
E 12 dozes de Red Label sem gelo.



Alice, sim, a deusa, à beira do abismo.
Chutando o tempo prum bueiro,
O cigarro guardado dentro do seio esquerdo,
E todas as amigas longe, óculos escuros
Em plena noite, gays, garis e policiais,
Cascatas de risos falsos na praça.
Quem dera fosse Cincinnati no jornal nacional.
Ela passou por cima, mandou a merda e só sobreviveu
Porque era feita de sonho.
Sonho e solidão.



Depois os botecos do centro.
Os sobreviventes de outras eras,
Estudantes, mães e vadios,
A cidade aberta feito uma flor.
Acabou a bebida, Alice não alivia.
Arrasta minha carcaça pela cidade,
O carro quase sem gasolina,
Eu sem cocaína desde à tarde.
Já não penso em trepar com ela.
Alice quer que eu veja, que eu seja sincero.
Eu só quero que meus pés parem de doer,
Quero levá-la pra casa, quero Alice na minha cama.
Ela não vai deixar a noite assim tão fácil,
Minhas mãos estão dormentes,
Ela não pára.
Dispara em mim aquele olhar doente e diz:
-Você não viu Jules e Jim. Não me aborreça.



Reza a lenda que Alice,
Não essa,
Outra bem mais dentro
E moda e atualizada,
Um dia me fez pular
Do quinto andar do meu apartamento
Já não era sem tempo.
Deus, deus? Surpreenda-me
Ou desapareça antes do fim da queda.



Alice me espera na esquina.

segunda-feira, julho 16, 2007

8ª Pirueta - Apenas




sabendo cada vez menos sobre esses espaços
guardados dentro da alma, desses que não tem recheio,
não tem tampa,nada, eu sigo esses dias segurando um choro
que não é choro.
segurando,sorrindo, os dentes serrados, acenando sem destino,
emprestando meu lugar aos outros, correndo feito locomotiva,
milhares de vagões são meus...

mas ontem, enquanto acenava pra você e talvez antes
quando dizia: Calma, tudo se resolve...
acho que menti.
Não pra você...

mas antes de mentir te beijei longamente, bem longe
dos homens, bem distante mesmo dessas cores que a cidade
insiste em colorir a madrugada...

Éramos de uma hora para outra
a luz que encheu os espaços da alma.
o som, beijos apaixonados, encontros com cheiro de terra
e sal.

16/07/07

terça-feira, junho 26, 2007

7ª Pirueta - Dança


Não passa,
Não deixa recado,
Não me lembro muito bem como
Ela era.
Era uma espera,
O verso rápido
Feito de passo e anca,
Pássaro e samba,
Verde, vermelho, azul.
Parceira de horas antes,
Pés descalços,
Brâmanas védicos,
Posse dos meus olhos
Naquela noite em que
Amanhecemos dançando.
Nós e a cidade inteira.

Adormecer,
Firmar os pés no sonho,
Na cor.
Abrir os olhos deixando a luz
Entrar e nutrir.

Eu, Arjuna.
Meu arco Gandiva dispara.
Enfrento os exércitos,
Venço a batalha.

Não canto por que
Não mereço.
Ouço o dia clarear enquanto ela
Dança.

Silêncio.
A dança é o timbre dela.

26/06/07

sexta-feira, abril 13, 2007

6ª Pirueta - Coisa-tudo


não tenho forças pra imaginar.

acendo um cigarro atrás do outro.

deixo sedimentar os olhares, os zumbidos

dessa música que tem sangue e saudade.

na verdade sou eu de sangue e saudade.

Superviva! será coisa-tudo e além de tudo

será.


13/04/07

quarta-feira, março 21, 2007

5ª Pirueta - Em todas as direções


Porque assombrar meu temperamento
Abrir feridas, alimentar desilusões?
Era mais fácil,
Bem mais fácil me deixar florir,
Ir além do fim do dia.


Porque se atrapalhar com as correntes
Que te amarram os pés, que te rangem os dentes?
Porque atravessar o jardim com o olhar doente?
Porque não depois?
Deixa o tempo acompanhar os acontecimentos.

Talvez reagir.
As mãos acenando prum lugar menos árido.
Escreva um recado num passo de tango
E veja o dia amanhecer
Em todas as direções.
Amanhecer como que por divertimento
Em todas as direções
Até esquecer de nós.

21/03/2007

segunda-feira, março 05, 2007

4ª Pirueta - Colorir, colorido


Remendo os dias
um a um
semanas de desprezo e linha
a linha que elimina desejos, coisas frias
o sentimento nas entrelinhas
a procurada,
a desejada,
falta de sossego.

não, não esqueça,
eu tenho medo.
e sinto frio.
eu tenho medo
fica aqui comigo.
eu tenho medo
e sinto frio.
fica aqui comigo.
não se esqueça.


Outros dias embrulhados pra presente,

palmas, muitas palmas.

Colados com os dedos e coloridos com giz.

mas, antes distantes, hoje são meu pão com manteiga.


Oremos.


Luiz Rocha

05/03/07


segunda-feira, dezembro 04, 2006

3ª Pirueta - Forma


Mora na hora errada
Morre na hora aurora
Rola na hora limo
Morra na hora agora

Barro na hora loca
Corre na hora fora
Fere na hora corta
Filme na hora escura

Cura na hora enferma
Forte na hora fraca
Fraco na hora força
Farsa na hora falsa

Firme na hora fole
Fome na hora some
Farpa na hora salta
Fama na hora feia

quarta-feira, julho 19, 2006

2ª Pirueta - Toda noite


ela entra
sempre de madrugada
e se deita
aos pés da nossa cama.
ela entra
pela janela aberta
e se deita
por entre as nossas pernas.
sou ele que salta.
por ela eu nem dança.
você bergamota.
eu óculos escuros.
ela mora
por sobre a penteadeira.
ela dorme
sobre as nossas roupas.
ela mora
no vão entre as garrafas.
ela dorme
depois que a gente sonha.
um quarto.
uma gata.
e nós.

quarta-feira, junho 14, 2006

1ª Pirueta - Ao lado, aos saltos



aprendi do lado errado
ouvindo o certo ao contrário
caminhando aos saltos
rindo, repetindo os hinos
de uma outra vida inventada
onde só eu sei como entrar e sair
cada dia uma canção.
outros viram meus aplausos
quando abri as pálpebras e li
palavras que escrevi no meu braço:
"Mão, cala essa voz que te condena"
hoje eu passo as portas
que se abrem e se fecham
e eu abro e fecho meu sorriso
enquanto passo.
fiquei confuso ou serei eu um eterno
braço acenando para o lado escuro dos dias?

segunda-feira, junho 05, 2006

10ª Mentira -Sobre o dia e o dia anterior


Ele diz:

havia algo além das entrelinhas...
havia algo além de mensagens subliminares...
havia algo de magia...
havia algo além de quase tudo.
além do sono
era só o desejo
e a poesia....
de amanhecer adormecido do sonho da noite anterior
do dia anterior
da vida anterior

viver é um dia claro sem nuvens.

eu sei onde procurar
meu passo sincero
no tempo

ela diz:

havia o mundo além do sono
e do sonho.

quarta-feira, maio 24, 2006

9ª Mentira -Sobre o desconforto e a atenção


Não como era.
nunca meu passado.
não faz diferença...
permaneço atento e desconfortável
onde passo e deixo aberta a porta.

"-Um pedaço, um pedacinho do seu calor.
-Não, nem um pedacinho,
nem uma fagulha."

Permaneço atento e desconfortável.

“-alguém pode me dizer como
me proteger do acaso?”

Eu não queria,
Mas quero.
Eu poderia
E posso.
Mas não tenho
E posso.

Eu não quero, eu não quero, eu não quero,
eu não quero, eu não quero, eu não quero,
eu não, quero, eu não, quero, eu quero
e posso.
Posso?

Vamos deixar de rodeios,
Vamos?
Vou, mas não quero.
Ladainha, Oh, Deus!
Deus?
Eu não penso.
Penso?
Apaga essa música!
Apaga, apaga, apaga!
Sorriso.
Sorriso?

Guardo na voz meu silêncio.
Quero ficar rico e morrer
Bem velhinho.
Quero?
Ignorante, ignorante, ignorante
Eu permaneço atento e desconfortável
E fico em pânico.
E minto, minto, minto, minto....
Minto?
Ágüem disse: fugir.
Mas não fujo.
Finjo.

Peço ajuda a Deus
Novamente.
Mas deus está sentado do meu lado.
Ele bebe cerveja.
Eu fumo cigarro.
Daí bebo com ele.

Todo mundo sabe demais
Eu sei tanto quanto.
Ouço a palavra mágica
E fico assim:
Eu permaneço atento e desconfortável.
E desconforto.
Eu sinto prazer...
Sinto?
Permaneço sentado.
Beatles, porquê penso neles?
Porque não consigo pensar em
Mais nada.

67,51,65

não há vida inteligente
em meu cigarro
mas é o único que me entende.
Entende?

Na sétima dobra do guardanapo
Um copo se quebra
Mas ninguém nota.
A nota é 7.
Não me pergunte porquê.

Pessoas mortas, pessoas mortas, pessoas mortas, pessoas mortas...
Eu só penso em quem está vivo.
Vivo sem saber porquê penso.
A conta será paga.
Vamos embora.

quarta-feira, maio 17, 2006

8ª Mentira - Sobre crianças e o futuro


Tenho crianças ao meu redor
E gosto de estar com elas.
Aprendo com elas, elas me dizem o que eu sinto.
Na verdade me passo por uma delas
Só pra estar perto.
Elas me contam como enxergam o mundo.
Eu tento entender se bem que nem precisa.
Elas não precisam.
E hoje eu preciso tanto delas...
Elas estão por toda parte.

Como será ver por esses olhos que já sabem tudo?
Onde será que eu deixei essa parte que era minha
E eu perdi?

Se bem que perder o que se teve é reconhecer que
Sabemos bem onde guardamos essas lembranças,
Esses porquês, essa magia.

Queria falar de outra coisa hoje, coisas que vivi hoje.
Mas resolvi escrever o que realmente me tocou sempre.

Penso pelo meus olhos de criança.
E sei que um dia verei meus filhos.
Daí serei eterno aprendiz.

“-Diz pra mim, meu filho, tudo que eu sempre quis saber...”

sexta-feira, maio 12, 2006

7ª Mentira - Sobre a Luz e a falta dela


Olho pra lua
mas não quero olhar a cidade.
Ando pela casa escura.
Aprendo a andar no breu.
O silêncio alucina.
Fecho a porta do quarto.
Abro a porta do quarto.
Procuro Alguma luz que não
se apaga nunca.
Encontro um abajour no fim da sala.
A lâmpada está queimada.
Não acende mais.
No escuro fica só uma luz.
É a lua.
Ela me salva.
A lua me salva.
A cidade incendiada de eletricidade.
Parecem estrelas
as luzes que se apagam.
Parecem perfeitas à distância.
O dia amanhece,
não são mais eternas.
A lua se deita.
Eu me levanto.

terça-feira, maio 09, 2006

6ª Mentira - Sobre Entardecer e outros sentimentos


Eu não me acostumo muito bem com as coisas.
Talvez com algumas delas
Ou com muita pouca coisa.
Eu não me acostumo muito bem com coisa alguma.

Tenho estudado mais por vontade própria que por descuido
Os efeitos de uma vida só.
Isso me lembra palavras como: sólido, solidão e outras palavras aquáticas.

Dia desses andando nas ruas fui cumprimentado por todas as crianças com quem cruzei.
Havia algo de mágico, patético ou simplesmente amigo em mim aquele dia ou as
Crianças resolveram me pregar uma peça.
Eu gostei muito.

Esses dias têm sido dias de entardecer.
Por precaução me agasalho bem e fumo bastante.
Cigarro pra mim é feito ampulheta
Queima o tempo nas duas extremidades.
Não sei dizer ao certo que instrumento de tortura uso pra medir o tempo
Mas meço e isso dói um pouco.

Apesar das tardes serem inesquecíveis acabo deixando de lado
Certas lembranças que me entristece.
Sentir frio é sinal de respeito e espera.
Isso me lembra palavras como: esperança, espírito e outras palavras circenses.

A luz do sol entra pela janela do quarto,
Um quarto que não é meu.
Um quarto que não é de ninguém.
Mas só porque o sol entrou pela janela
Já me sinto aceito
E aceito.

Ando com sorte.
É...
Eu ando com muita sorte.

sexta-feira, maio 05, 2006

5ª Mentira - Sobre palavras e asas


Deixando a luz do Sol entrar nos meus olhos e nutrir.
Tenho passeado por entre borboletas e cantigas de roda.
Lembro da primeira vez que te vi do jeito que te vejo agora.
Posso estar sempre apaixonado.
Posso morrer amanhã.
Posso acreditar em Deus mesmo que dê a ele outros nomes.
Vida: Palavra espantosa.
Palavras são como pedra, papel e civilizações
podem construir, crescer, expandir e podem ser destruidas.
E eu adoro as palavras, as escadas, as pontes,as cartas,os sinais de fumaça,
os muros, as árvores rabiscadas.
Tudo por causa de um:
"Oi, tudo bem?"
Dai é só bater as asas.

terça-feira, maio 02, 2006

4ª Mentira - Sobre Cantar e Colorir


longe/perto.
borboletas e outras coisas mágicas.
o prestidigitador que não revela nada,
o truque e o som.
eu acho tão bonito essas cores que desprendem
dos seus cabelos.
eu gosto de colorir pessoas.
o que me atormenta me mantem alegre...
eu penso em cantar no domingo belas canções...